Droga vendida para empresários e médicos era escondida em creme de cabelo

Print de conversa mostra vendedor relatando como colocou droga dentro de potes de 1 kg e enviou encomenda em ônibus

As drogas vendidas por um grupo que tinham clientes de alto poder aquisitivo na Bahia eram escondidas dentro de potes de creme para cabelo e enviadas como encomendas em ônibus. Onze suspeitos foram presos nesta quinta-feira (24) durante uma operação da Polícia Civil.

Um print de uma conversa entre um dos vendedores investigados e um cliente, obtido pela TV Bahia, mostra detalhes de como o entorpecente era preparado para dificultar a identificação.

Em um dos trechos da conversa, o vendedor conta que colocou a droga dentro de dois potes de creme de 1 kg. Antes, segundo ele, o material foi embalado a vácuo.

“Coloquei de um jeito sinistro que não pega”, escreveu o vendedor.

Na sequência, ele explica que comprou uma caixa de papelão, colocou os dois potes dentro e enviou a encomenda por meio de um ônibus.

O vendedor também relata que pediu nota fiscal da compra dos cremes e utilizou o CPF informado pelo destinatário para preparar o envio.

Vídeos obtidos pela TV Bahia mostram ainda como as drogas eram colocadas dentro dos produtos e depois embaladas em caixas de encomendas.

Droga era escondida em produtos de beleza

Segundo a investigação, parte dos entorpecentes distribuídos pela organização era transportada de forma camuflada em produtos de beleza.

A estratégia era utilizada principalmente no abastecimento de cidades do interior. Em Vitória da Conquista, por exemplo, um dos investigados apontados como chefe regional recebia drogas em Salvador e fazia a distribuição para o município e cidades próximas.

De acordo com a Polícia Civil, parte desse material era escondida em potes de cremes estéticos e enviada em ônibus comerciais, como se fossem produtos de beleza.

Entre as drogas distribuídas estava a chamada ICE, que era recebida em Salvador e depois redistribuída para cidades do sudoeste baiano.

Venda pelas redes sociais

A investigação aponta que as redes sociais eram o principal canal de comercialização das drogas.

Os produtos eram anunciados em perfis no Instagram, e os pedidos eram feitos por mensagens privadas. Os pagamentos aconteciam principalmente por Pix.

Depois da negociação, os entorpecentes eram entregues em locais combinados ou enviados para outras cidades.

Entre os consumidores identificados pela investigação estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo. As drogas eram divulgadas com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA.

Segundo a Polícia Civil, os produtos eram vendidos por valores superiores aos praticados no mercado ilegal convencional.

Relembre a Operação Iceberg

A Operação Iceberg prendeu onze pessoas nesta quinta. Um 11º investigado já estava preso no sistema prisional de Sergipe e teve o mandado cumprido na unidade.

Ao todo, 12 investigados estão presos. Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e registradas duas prisões em flagrante.

A Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.

O principal alvo da operação, Erick Castro Gusmão Seixas, foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. Segundo a polícia, ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.

A investigação financeira aponta que ele movimentou mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos, por meio de mais de 16,6 mil transações bancárias.

A apuração identificou ainda oito carros e uma motocicleta ligados aos investigados. Entre os veículos estão Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker. Segundo a tabela Fipe, o conjunto é avaliado em mais de R$ 1,1 milhão.

A operação teve origem em informações encontradas durante a Operação Gênesis, que investigava uma organização criminosa envolvida em crimes violentos. A partir de informações encontradas em uma rede social, os policiais chegaram à estrutura de fornecedores, distribuidores e vendedores de drogas.

Fonte: g1

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