No Dia do Trabalho, baianos enfrentam dura rotina na busca de emprego

Quando o despertador toca, às 5h30, Naiane Araujo, 28 anos, confere os documentos, pega a carteira de trabalho, RG, CPF, currículo, e se prepara para mais um dia na expectativa de conseguir emprego.

Naiane está entre os 12,7 milhões de brasileiros que estão desempregadas no país; número divulgado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em janeiro desse ano.

A notícia que colocou Naiane nas estatísticas foi quando a ex-patroa dela também ficou desempregada. “Trabalhava como cuidadora de uma criança, desde que ela tinha 4 meses, até completar 1 ano e 3 meses. Fiquei muito triste quando minha ex-patroa falou que não poderia mais me pagar”, lembra Naiane, que também já trabalhou como auxiliar de caixa e balconista.

De lá pra cá, há um ano ela entrega currículos e faz entrevistas, sem nenhum resultado positivo. “Em cada esquina que eu vou, coloco currículo. Nem posso fazer planos, pois como estou desempregada, não tenho dinheiro para me qualificar”, conta Naiane, que mora com o marido, Everaldo dos Santos, no bairro de Plataforma, no Subúrbio Ferroviário de Salvador.

Everaldo trabalhava como agente de portaria, mas atualmente recebe auxílio-doença para suprir as contas da casa, incluindo aluguel, água e luz. “Ainda pago pensão para três filhos. Um deles já é maior de idade, mas também está desempregado e eu preciso ajudá-lo”, conta.

Correria – Há cinco anos desempregado e três filhos para sustentar, o ex-pedreiro Josenilson Santos, 38 anos, decidiu, há seis meses, que iria começar a vender jujuba no bairro do Comércio, na Cidade Baixa.

“Trabalhei com carteira assinada em várias empresas, mas hoje em dia não tem mais obra. Está todo mundo parado, meus pais, tios e amigos”, revela Josenilson.

O ex-pedreiro, que acorda às 5h da manhã para trabalhar como vendedor ambulante, mora na comunidade do Alto das Pombas, no bairro da Federação, com a esposa, que também está desempregada. “Ela faz ‘bico’ como faxineira. Tem que ser ‘correria’, pra conseguir pagar o aluguel, mas espero que um dia as coisas melhorem”, diz, esperançoso.

Carteira assinada – Apesar das dificuldades enfrentadas pelos baianos, a Bahia gerou 4.151 postos de trabalho em março de 2018, segundo informações reunidas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e sistematizadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Esse dado deixou a Bahia como o estado nordestino que mais gerou postos de trabalho no período.

Nos últimos três meses, o número de novos postos de trabalho foi de 11.121 , deixando o estado na oitava posição do ranking de geração de empregos no país.

“Trabalhamos na contramão do governo federal, que tem retirado os direitos dos trabalhadores e tem jogado tantas pessoas no trabalho informal”, destacou o secretário do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Vicente Neto.

“Temos inúmeras ações para inserir o trabalhador baiano no mercado de trabalho, a exemplo do Qualifica Bahia. No Sinebahia, oferecemos qualificação através de cursos para as pessoas que nos procuram para realizar o cadastramento. Recentemente, criamos uma ferramenta de contratação de mão-de-obra totalmente digital, realizada diretamente entre prestadores de serviços e clientes. As pessoas podem solicitar o serviço através do aplicativo e o prestador cadastrado no nosso banco de dados vai até o local indicado”, disse o secretário.

Confira alguns locais para ir em busca de emprego em Salvador:

Sinebahia

Av. Antônio Carlos Magalhães, 3359, Parque Bela Vista.

Telefone: (71) 3452-8316

Serviço Municipal de Intermediação de Mão de Obra (SIMM)

Rua Miguel Calmom, 506, Comércio.

Telefone: (71) 3202-2016

Soul RH Consultoria em Desenvolvimento Humano

Av. Tancredo Neves, 1222. Ed. Catabas Tower. Caminho das Árvores.

Telefone: (71) 3113-2168

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