O candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddad, afirmou a jornalistas na tarde desta terça-feira (23) que o país está fazendo de conta que não sabe quem é seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL). “Converse com as pessoas nos bastidores e perguntem se o Bolsonaro tem a menor condição de governar o país. É uma pessoa despreparada. O Brasil está fazendo de conta que não sabe quem ele é. Todos os jornalistas, empresários, sabem”, disse.

Haddad participou de um encontro com evangélicos em hotel em Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro. Silas Malafaia, liderança da Assembleia de Deus, é cabo eleitoral de Bolsonaro. O petista disse ter sido procurado pela Assembleia e por parte da comunidade judaica. Questionado sobre arrependimentos na campanha, Haddad disse que não se arrepende de nada e que existe a chance de criar uma onda favorável à sua candidatura até o segundo turno. “Para quem está há 45 dias em campanha, os resultados são extraordinários.”

Mais cedo, em sabatina do jornal O Globo, Valor Econômico e Época, o petista repetiu informação do cantor Geraldo Azevedo, que disse ter sido torturado na ditadura pelo general Hamilton Mourão, vice de Bolsonaro. Posteriormente, o artista emitiu nota reconhecendo que pode ter se confundido e pedindo desculpas pelo transtorno.

“Dei ao público uma informação que recebi de uma fonte fidedigna. Me solidarizo com ele porque toda pessoa que foi torturada está sujeita a este tipo de confusão. Isso não tira o fato que tanto Mourão quanto Bolsonaro tem Ustra [Carlos Alberto Brilhante, torturador] como referência”, disse Haddad.

O ex-prefeito de São Paulo também afirmou ter recebido um vídeo de um discurso de um dos filhos de Bolsonaro, que promete que uma das primeiras providências do novo governo seria derrubar o ditador venezuelano, Nicolás Maduro. “Pela hostilidade que manifesta, quero crer que [o vídeo] possa ter algum fundamento. Deveríamos estar pensando em como ajudar a Venezuela a sair da crise, e não em derrubar governos”, afirmou.

Haddad ressaltou que o país está há 140 anos sem entrar em conflitos armados com países vizinhos. Ele também se disse preocupado com a possibilidade de Bolsonaro ceder a base de Alcântara para os Estados Unidos.

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