Alta de apreensões de armas não reflete na redução da violência

Em 2011, o pesquisador do Ipea Daniel Cerqueira concluiu em sua tese de doutorado que para cada 18 armas aprendidas, uma vida era salva, e que para cada 1% de armas a mais com os criminosos, os homicídios subiam 2%.

Na Bahia, porém, o crescimento das apreensões de armas, divulgado nesta quarta-feira (15) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), semanas após o CORREIO solicitar informações sobre o tema, não influencia de forma significativa nos índices de violência.

Com aumento das apreensões, o que reduziu mais, apesar de pouco, foram as tentativas de homicídio: 3.673 em 2014, 3.183 em 2015 e 3.072 em 2016. Já os homicídios dolosos vitimaram 5.663 pessoas em 2014, 5.051 em 2015, 6.328 em 2016 e, este ano, de janeiro a maio, 2.799.

Enquanto isso, os casos de lesão corporal seguida de morte tiveram 125 casos em 2014; 124 em 2015; e 114 em 2016. Já os latrocínios tiveram 199 em 2014, 207 em 2015 e 211 em 2016. Por fim, os roubos/furtos de veículos foram 20.053 em 2014, 20.060 em 2015 e 20.785 em 2016. Não há dados de 2017 para esses casos.

Para especialistas em segurança pública, a pouca influência demonstra falhas nas estratégias de combate ao crime organizado e algo mais grave: a quantidade de armas apreendidas, sobretudo fuzis, é até dez vezes menos do que a que continua nas mãos de criminosos.

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